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Cinco palavras francesas de origem portuguesa

Já andámos na senda das palavras portuguesas que foram roubadas pelos ingleses, pelos espanhóis, pelos japoneses

Hoje é dia de vermos cinco exemplos (entre muitos outros) de palavras francesas que tiveram origem por estas bandas, os chamados lusitanismes:

  1. Albatros. Curiosamente, tal como em inglês, o nome francês deste pássaro tem origem portuguesa. Lembra-nos as viagens marítimas de antanho, quando os Portugueses descobriram pássaros e plantas… [Nota: ver comentário abaixo de Fernando Venâncio.]
  2. Bambou. Uma dessas plantas foi esta mesma, o bambu. Lá trouxemos o nome da planta e emprestámo-lo aos franceses, que apenas se atreveram a substituir o nosso “u” pelo “ou” deles.
  3. Baroque. Algum tempo depois dessas descobertas que nos trouxeram tantas palavras novas, estávamos já embrenhados em construir igrejas deste estilo cujo nome emprestámos ao povo que, entretanto, começou a ser a luz das elites portuguesas…
  4. Caste. Por falar de extractos sociais, temos as castas. Também essa palavra emprestámos aos franceses, provavelmente por termos andado a descobrir o caminho marítimo para o país onde estas são parte da vida.
  5. Fétiche. E, por fim, este fenómeno curioso: esta palavra francesa que nós importámos tem, por sua vez, origem portuguesa (vem de “feitiço”). As palavras são assim, andam sempre a vadiar…

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Autor
Marco Neves

Tradutor na Eurologos, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da Gramática para Todos.

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4 comentários
  • A questão do ALBATROZ é um pouco mais complicada. A primeira documentação em português é de 1815 (a castelhana é um pouco mais tardia). A palavra veio-nos do ingl. ALBATROSS (1672), provavelmente pelo fr. ALBATROS (1748).

    Acontece que estes derivaram do cast. ALCATRAZ (1386), proveniente do árabe. A primeira atestação portuguesa é de 1526.

    Em princípio, é de aconselhar cautela com listas deste tipo (na Wikipedia ou não), frequentemente feitas por ‘curiosos’.

    • Caro Fernando, muito obrigado pelo esclarecimento (e pelo aviso). Irei reformular o post logo que consiga pôr as mãos num computador (estou a comentar num telemóvel).

      • Caro Marco, eu também sou regularmente vítima de ‘informações’ assim. Uma pessoa não pode ir verificar tudo. E há aquele mecanismo de “querermos que seja verdade”, porque nos lisonjeia tanto.

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