Certas PalavrasPublicação de Marco Neves sobre línguas e outras viagens

O meu filho a falar

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Ao ver o meu filho a aprender a falar como uma esponja absorve água, só posso concluir que, de facto, o nosso cérebro está muito bem preparado para aprender a linguagem humana. Sim, temos um instinto para aprender a língua que nos rodeia (ou as línguas…).

Já a escrita é algo diferente, que aprendemos com esforço e que faz parte do nosso equipamento biológica: não houve evolução, mas antes invenção e, depois, transmissão. Quase que devíamos ter dois verbos diferentes: a fala apanha-se, a escrita aprende-se.

Mas, enfim, estas são reflexões que não interessam. O que me interessa é este espanto do meu filho a repetir palavras, a tentar explicar-se ainda de forma difícil, com os sons a aparecer no meio da algaraviada infantil como quem garimpa e vai descobrindo as palavras e fica espantado e feliz quando conseguimos compreendê-lo.

E há coisa mais espantosa do que começar a conversar com este miúdo que ainda há pouco tempo mal conseguia abrir os olhos e que vimos a nascer, a chorar pela primeira vez e a desenvolver-se mês a mês?

Autor
Marco Neves

Tradutor na Eurologos, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da Gramática para Todos.

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1 comentário
  • Já lá vai quase um ano desde que escrevi isto e o espanto continua. Nas últimas semanas, descobri que o Simão já sabe o que quer dizer «fronha», «chato» («Ó pai, não sejas chato!») e «papilas gustativas» (a professora dele parece estar muito à frente no que toca às partes do corpo humano). E, não, não acho que ele seja especial nisto: as crianças são mesmo todas espantosas na forma como absorvem as palavras em redor, quase sem esforço, como se bebessem água.

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