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Onde fica «La Coruna»?

imageLeio este artigo da Volta ao Mundo e fico contente que proponham uma cidade galega como destino.
Acho curioso que chamem à tal cidade «La Coruna». Mesmo se descontarmos a falta do til, a verdade é esta: os galegos chamam à cidade «A Corunha» (escrevem com «nh» ou «ñ», mas isso agora pouco importa).

Já em castelhano, numa prática que alguns recusam, mas é cada vez mais habitual, usam-se os topónimos em galego, por serem os nomes oficiais das terras. Por isso, em textos espanhóis, cada vez mais se vê A Coruña.

E cá em Portugal? Não sabemos de nada disso e, se não nos pomos a pau, qualquer dia somos os únicos a dizer o nome dessa cidade… em espanhol!

Vá, eu sei que não estamos habituados, mas que tal começarmos a usar os nomes galegos das cidades galegas?

Em vez de Tuy: Tui!

Em vez de Orense: Ourense!

Em vez de La Toja: A Toxa!

E, a mais famosa de todas, em vez de La Coruña: A Corunha…

(Só uma nota, talvez pouco interessante: os galegos usam os artigos — que são uma das mais antigas e salientes provas da proximidade entre galego e português — como parte integrante do topónimo, mesmo nas placas da estrada. Se fosse assim por cá, teríamos “O Porto” nas placas e nos mapas.)

Bem, seja como for, rumem a norte e conheçam a Corunha. Vale a pena, com til ou sem til.

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Autor
Marco Neves

Tradutor na Eurologos, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da Gramática para Todos.

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4 comentários
  • Para muitos galegos a questão do uso dos topónimos da Galiza em galego, mesmo em textos em espanhol, é vista como muito importante. Não concordo com eles, digo London em inglês e Londres em português. E aqui, quando faço uma tradução para um cliente, ou algo de institucional, escrevo Timor-Leste em textos em inglês (como as autoridades locais querem), mas nos meus próprios textos em língua inglesa escrevo East Timor.
    Porém, parece-me que não faz sentido escrever topónimos galegos em espanhol em textos em português! Eu digo que “vou à Corunha”, que “ele está na Corunha e ela em Ourense”, claro.

    • Exacto: podemos não concordar com o uso dos topónimos galegos em textos espanhóis, mas o que não faz mesmo sentido é usar os termos espanhóis nos textos portugueses…

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