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Crónicas

Para uma criança, é melhor ver televisão ou brincar com um iPad?

Os smartphones e tablets são um sucesso junto das crianças.

Os pais, claro, dividem-se. Uns preocupam-se, proibem ou controlam o uso da melhor forma possível. Outros não se preocupam assim tanto com o caso, dizendo que é apenas mais uma tecnologia, das tantas que já apareceram por aí.

Não vou agora entrar no debate, mas gostava de sublinhar uma coisa: usar um tablet parece-me ser francamente melhor do que estar horas em frente à televisão, como que hipnotizado.

Uma criança com um iPad na mão joga, vê vídeos, muda de vídeo, passa para outro jogo, começa a escrever umas letras, percorre o ecrã com o dedo, começa a tirar fotografias e, em geral, interage com o aparelho. Uma criança à frente da televisão não faz nada disso.

Não que a televisão seja algo de fugir. Longe disso. Afinal, uma criança também não interage directamente com um livro e ninguém se lembraria de ficar preocupado por ver uma criança com um livro na mão. Na verdade, julgo que a própria falta de interacção, no caso do livro, pode ser uma forma de obrigar a criança a imaginar e pôr o cérebro a trabalhar. Mas isso são outras discussões.

Voltando aos tablets, duvido muito que estes aparelhos façam um mal terrível às nossas crianças. As crianças andam a jogar videojogos há décadas e não se registaram as quebras de inteligência, aumento da violência ou qualquer outro dos fenómenos que todos juravam ser a inevitável consequência dessas maquinetas infernais. Antes pelo contrário.

Medos, claro, todos temos. É parte da vida. Um dia ainda nos vamos rir desse susto que era ver as crianças a lidar com ecrãs tácteis.

Seja como for, melhor do que ter de escolher entre a televisão e o iPad é dar à criança uma vida variada, a começar pelas conversas. Mais do que estar horas a fazer uma só coisa, é bom saber conversar, brincar, ler, ver, observar o mundo…

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Marco Neves

Um comentário

Questão muito pertinente!
Confesso ainda estar a pensar na resposta.
O que se verifica. com os tablets, é que, por exemplo, a hora de deitar não é respeitada. Os pais pensam que o filho está a dormir quando, por baixo dos lençóis, há um tablet em ação. Mas o mesmo acontece com a televisão no quarto (ou não!): independentemente da hora a que termina o Secret Story ou o reality show do momento, deitar só mesmo no fim do programa. Muitos são os pais que não sabem dizer não. Embora esteja mais inclinado para o uso dos tablets, não podemos esquecer canais televisivos que promovem o desenvolvimento do imaginário e a aprendizagem de novas línguas, por exemplo. O problema prende-se com as repetições que alimentam os nossos canais, sejam eles por cabo ou não e o não desenvolvimento de recursos, como acontece no estrangeiro.

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