Certas PalavrasPublicação de Marco Neves sobre línguas e outras viagens

O português do Brasil é falso?

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No Facebook, numa partilha deste artigo em que critico a aversão aberta ao português do Brasil, alguém opta por chamar abertamente «xenofobia» a essa aversão.

Um outro comentador discorda, dizendo (negrito meu):

Talvez a pessoa que utilizou essa palavra nao a tenha aplicado com o sentido de xenofobia… talvez esteja revoltada pelo facto do português brazil estar a tomar conta do verdadeiro português… talvez porque hoje em dia vem tudo PTbr e não em PTpt….talvez a parte do acordo ortográfico que aproxima mais o português do português br…. enfim… coisas que nao deviam ser assim pois o português é de Portugal….

Parece-me ser este um caso do «erro de confirmação». A pessoa acha que hoje em dia vem tudo em português do Brasil. Ora, os programas de televisão infantis são praticamente todos dobrados em português de Portugal. Já é raro vermos produtos em português do Brasil. Nem as telenovelas são hoje brasileiras (pelo menos, na sua maioria). Quanto à língua em si, estamos cada vez mais afastados uns dos outros no que importa (com ou sem acordos). Ou seja, não estamos a ser invadidos.

Mas, claro, quem acredita nisso vai olhar apenas para o que confirma a sua crença: se encontrar um produto que seja com embalagem em «brasileiro», pronto, está o caldo entornado.

Adiante. O mais curioso do comentário é essa ideia do «verdadeiro português»… Parece ser natural aos portugueses achar que o português verdadeiro é nosso e os brasileiros falam uma língua menor, um português falso.

Por exemplo, ainda há uns dias, na TVI, ouvi dizer que Carlos do Carmo pôs uma plateia do Rio de Janeiro a cantar em português. Foi preciso um fadista para pôr os cariocas a cantar na sua própria língua? É isso? Segundos depois, a jornalista diz alto e bom som que «Carlos do Carmo ensina a cantar em bom português.» Percebi, então. Os brasileiros falam português, mas falam mal.

As coisas são um pouco menos fáceis do que pensamos. Nem os portugueses inventaram, um lindo dia, a língua portuguesa, nem os brasileiros passaram a falar uma língua estrangeira no dia em que declararam a independência.

Primeiro, a língua que Estado português adoptou já existia, embora sem nome nem identidade própria (como aprendi na aula de Fernando Venâncio de que vos falei há tempos). Da mesma forma, a língua que o Estado brasileiro adoptou já existia. Neste caso, a língua já tinha nome — nome que o Brasil decidiu manter, sem que daí viesse mal ao mundo.

Como em tudo na vida, as coisas são como são e o português de lá e o português de cá foram mudando. Nenhum deles se deturpou e nenhum deles se manteve puro e imaculado. Mudámos todos. Uma coisa parece-me certa — dificilmente as várias variantes do português se aproximarão de novo, naquilo que de facto importa: o vocabulário, as expressões, a sensação de comunidade linguística.

Dito isto, faz-me imensa confusão essa recusa mental de muitos portugueses em ler e ouvir português do Brasil. Continuamos a poder ler qualquer texto brasileiro sem grandes dificuldades, o que me parece de aproveitar — tal como também é de aproveitar a invisível proximidade com o galego. Não nos limitemos tanto. Convém ter força e ser um pouco menos tribal, mesmo que o tribalismo linguístico seja algo tão natural como a guerra.

Agora, a pergunta final: será que o português do Brasil já se distanciou tanto dos primos ibéricos (galego e português de Portugal) que merece um novo nome? É uma bela discussão e não sei o que acontecerá nas próximas décadas. Mas, para já, os brasileiros chamam à sua língua «português» e nós não nos devíamos incomodar tanto com isso. 

Sim, a língua em que a plateia de Carlos do Carmo cantou foi português: a sua própria língua, vejam lá.

Autor
Marco Neves

Tradutor na Eurologos, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da Gramática para Todos.

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59 comentários
  • Essa aversão ao português do Brasil faz-me confusão, e eu próprio já fui cúmplice desse pequeno crime. Acho que ainda são réstias da nossa mentalidade imperialista…

    Mas acho que já estava na altura de definir o português do Brasil como brasileiro, as diferenças já não são apenas pronúncia e vocabulário, mas a um nível mais profundo, gramatical e sintáctico, e até de identidade cultural.

  • Essas disputas políticas e linguísticas sobre qual variante é superior me aborrecem. E las não se restringem ao português lusitano e ao português brasileiro, o mesmo ocorre entre o espanhol peninsular e o espanhol hispanoamericano. Acho que em vez de destacar as diferenças, devemos destacar as semelhanças que são muito mais numerosas. O galego, o português lusitano e o português brasileiro tem muito em comum, e é nessas semelhanças que devemos nos concentrar, que a língua sirva como um ponto de conexão, e não como disputa de poder.
    Não adianta nada defender um idioma chamado brasileiro em nome de um falso nacionalismo, se realmente fosse para defender um idioma nacional que se defenda a adoção do guarani como língua oficial. Essas disputas são muito vazias e desnecessárias, tanto o espanhol, como o galego e o português são línguas românicas, ou seja, também foram impostas num primeiro momento por um império e depois adquiriram sua própria identidade.
    Nasci na Espanha, sou brasileira naturalizada e estou aqui navegando neste site lusitano com muito prazer, entendendo perfeitamente o me sentindo “em casa”.

    • Muito obrigado, Diana! Também me parece que é muito mais interessante aproveitar a proximidade e, assim, comunicar o mais possível, sem andar a sublinhar diferenças de forma artificial. Muito obrigado pelas visitas e comentários!

    • Adorei sua resposta…se concentrar nas semelhanças e não nas diferenças. Acho o Português Lusitano muito bonito, assim como a língua em um todo. Sou muito orgulhoso de fazer parte desse povo.
      Sobre o fato de os portugueses terem colocado brasileiros pra cantar em Português e não reconhecerem a língua, sinto muito, mas aqui falamos Português sim, falamos com toda a identidade brasileira, coisa que nosso país tem é personalidade. Então, querendo ou não, somos mais de 200 milhões de falantes do Português e dá pena de pensar como o mundo de Portugal ia ser pequeno e solitário sem a gente!

  • Infelizmente nós não temos o intercâmbio cultural necessário para que as variantes possam ser mais próximas, mas é duma tolice imensa acreditar que a variante brasileira já é diferente ao ponto de ser chamada de “novo idioma”. Qualquer brasileiro é capaz de compreender textos na forma lusitana sem problema algum, o problema está na falta de leitura, na falta de uma maior união literária, musical, entre outras coisas que permitissem mais proximidade dessas formas de “falar” tão belas nas suas particularidades.

    Por fim, agradeço ao ótimo artigo.

    • “…Qualquer brasileiro é capaz de compreender textos na forma lusitana sem problema algum, o problema está na falta de leitura, na falta de uma maior união literária, musical, entre outras coisas que permitissem mais proximidade dessas formas de “falar” tão belas nas suas particularidades.” ????

      Hã??? Parece inverossímil o seu argumento! Apenas mostra o quanto o português brasileiro e o europeu se distanciaram, a ponto de já poderem ser considerados línguas distintas. Mas aí eu lhe faço uma pergunta: e a Língua Falada, como fica? É comum portugueses e brasileiros acharem que falam um mesmo idioma apenas por que conseguem entender os textos uns dos outros. Isso se dá pela velha confusão entre língua falada e língua escrita. E , pela sua argumentação, eu aposto que você é brasileiro!

      • Sou brasileiro, desculpas se eu pareci um pouco incoerente na minha argumentação, o que eu quis dizer é que muitos brasileiros podem compreender textos na forma lusitana, porém aos que gostam de dizer que até na forma escrita é incompreensível, eu digo que é falta de uma maior proximidade cultural, neste caso a literária. Quanto a língua falada eu também reforço esta ideia de haver mais proximidade cultural, isto não faz com que sejamos um povo homogêneo, apenas faz com que as diferenças que tanto se debatem por aí sejam desmistificadas.
        Os brasileiros têm culpa se são um fracasso na compreensão da forma portuguesa escrita e falada, não são “línguas diferentes”, como brasileiro estou ciente da precariedade de nossa educação e da falta de interesse do brasileiro em se aproximar da vertente portuguesa, como queira chamar, e por esta razão por parte brasileira há muita gente que vive a falar que não entende nada de Portugal.
        Mais uma vez, desculpas por qualquer incoerência, espero que agora tenha ficado mais claro. Abraços.

        • Para de se rebaixar para tuga ,você não deve explicação nenhuma para esse povo chato, não temos interesse nenhum em aproximar do PT-PT. Somos 200 milhões de falantes do NOSSO LINDO BRASILEIRO sem essa pronuncia horrorosa do PT/PT.

          • O texto que está a comentar é um texto escrito por um português, que critica os preconceitos que por cá existem em relação ao Brasil. Como a Mara está a provar, o mesmo problema existe também do outro lado. Se aproveitássemos todos a proximidade linguística que existe ficaríamos a ganhar. Mas, enfim, a sua atitude é infelizmente bem comum, tanto cá como por aí.

  • Sou brasileiro e vou lhes passar a receita do português falado no Brasil.
    Vamos imaginar que temos uma ilha, nessa ilha colocaremos mil pessoas, entre elas portugueses, africanos e índios e as vezes umas invasões francesas e holandesas e quatrocentos anos depois chegara nessa ilha imigrantes de todo o mundo, fugidos de guerras na Europa. Nunca fui a Portugal mas pretendo ir, vejo diferenças na pronuncia e em algumas palavras que aqui no Brasil não utilizamos, ou tem sentido diferente. Como disse nosso amigo Leonardo Resende nossa escolas não são muito boas, em sua maioria.

  • Na minha opinião, não devemos focar nas diferenças e, sim, nas semelhanças. Se focarmos nas diferenças, poderemos criar dezenas de novos idiomas. Sou brasileiro, do Ceará, como eu morei em diversos Estados do país, meu português falado ficou relativamente neutro, mas, logo ao sair da minha terra natal, senti dificuldades de me comunicar. Com um gaúcho, então, parecia um outro idioma (o gaúchês). Da mesma forma, também conheço pessoas que nunca saíram do Ceará e eu tive que “traduzir” o “cearensês” dele para turistas de outros Estados. Não me refiro apenas a vocabulário, mas construções de frases completamente diferentes. Isso apenas dentro do Brasil. Quando analisamos um contexto mais amplo, de países, as diferenças ficam maiores. Exemplo: “Entre na fila” (Br) e “Ponha-te na bicha” (Pt). Outro: “Presta atenção!” (Br. neutro), “Se liga” (Paulistês) e “Te alui” (Cearensês). Construções de frases completamente diferentes, no entanto, repito, o núcleo é o mesmo e é neste ponto que nos devemos apegar.

  • Sim, se calhar, o português do Brasil, é falso. – Pois, na realidade a língua do Brasil é o Galego-brasileiro, assim como o “português” de Portugal é, também, o Galego, histórica e cientificamente comprovado. Alias, Alexandre Herculano, em 1874, já salientava o seguinte: “A Galiza deu-nos população e língua, e o português não é senão o dialeto galego civilizado e aperfeiçoado” – Os detalhes, e com alguma documentação, deste argumento, pode ser lido num comentário de Roberto Moreno, inserido neste link – https://certaspalavrasnet.wpcomstaging.com/10-nomes-de-linguas-de-espanha/#comment-1938

    • Quando Que tolice. Não existia a língua galega antes da formação de Portugal como nação, mas sim, o idioma galaico-português, falado na Galiza, Norte de Portugal e Astúrias. Entretanto, com a anexação da Galiza àquilo que é agora a Espanha, o Galaico-português sofreu influências do Castelhano, enquanto que o português continuo a evoluir. O atual galego nada tem a ver com o português, escrito e falado, apresenta similaridades, nada mais, enquanto que a língua que se fala no Brasil, sem qualquer dúvida, é o português. Não existe incompreensão de Portugal com o Brasil, mas sim deste para com o colonizador, por, literalmente, terem apagado Portugal do mapa. Quando ouço o espanhol europeu e americano, soa-me tão diferente, e quanto ao inglês, por dominar este idioma, posso garantir que existem diferenças enormes, mas não existe esta politiquisse. Quando o Brasil mudar o idioma para brasileiro, acabou como nação. Não tenho a mínima dúvida disto!

      • Nós temos sim tudo que é preciso para ter uma língua própria basta só nós brasileiros acordarmos.

  • as vezes tenho a impressao de que os portugueses sentem ódio de que o brasileiros falem portugues tanto ódio que dizem que falam o tal “brasileiro”, fosse verdade os americanos ou australianos… nao falariam ingles, e fosse verdade o portugues seria um idioma insignificante, sem relevancia nenhuma no mundo pois de uma unica vez desaparececiam mais de 200.000.000 de falantes. Eu apenas gostava de entender o porque de tanto odio de que pessoas de outros paises falem o mesmo idioma como se tivessemos da noite pro dia decidido adotar o portugues como idioma no país como se nao tivessem sido os proprios portugueses a levar o idioma pra outras partes do mundo. e ja que o problema é a pronuncia ou palavras locais devemos tambem cortar as ilhas ? alguem do continente entende sem esforço o portugues falado por lá? sem falar que no caso do brasil eu pessoalmente acredito que o portugues falado é muito mais uniforme que em portugal enfim….

    • Não sentimos ódio nenhum, antes pelo contrário, temos orgulho disso, não obstante sentirmos que inúmeras vezes fazem um assassinato à lingua. Quando dizemos brasileiro é para identificar um nacional do Brasil, pelo seu sotaque, nada mais!

      • Fernando Lopes Dizem sim, como línguas diferentes a até em outros países europeus já reconhecem nosso idioma como brasileiro.

  • Realmente é muito legal ver esta discussão toda entre português de Portugal e Brasil, por mim ainda seguiríamos os conceitos ibéricos, tenho orgulho de falar Português e Espanhol pelo fato de serem línguas tão antigas e belas, tão históricas e carregadas de um sentimento belo que chamamos de amor, não convêm a nós discutirmos se os “idiomas portugueses” são falsos ou verdadeiros, cabe a nós aceitarmos que nos dias que nos encontramos oque importa realmente é o carinho que se sente pela língua e o nacionalismo que se tem pela pátria, sempre lembro comigo mesmo que meus ascendentes vieram da península ibérica e que um dia viveram em povoados medievais, usando uma linguagens que até hoje eu ainda – com modificações – utilizo em minha vida cotidiana….Mas quanto aos “Portugueses” em questão idiomática, mesmo sendo brasileiro, para mim não há outro português a não ser o de Portugal que se mantem vivo até hoje, coloquemos então o fato do uso culto do português. Me pergunto de onde tiramos “você” sendo que “tu” é o uso correto, os brasileiros, muitos vão achar isto uma coisa como “purista” mas…usam a língua para deprava-la e olha que sou brasileiro; não concordo com o uso de “Agente” para mencionar “Nós” ou o uso de gírias mesmo que seja no dia-a-dia, vejo a península ibéria muito mais “Portuguesa” do que esse país cujo a cultura cai aos pedaços, descoberto em 1500 e que hoje chamamos de “Brasil” …Obrigado pelo Post!

    • Agente é uma pessoal que trabalha, por exemplo, na polícia ou também aqueles que você pode ver nos filmes que são agentes secretos! Acho que você queria dizer a gente=
      nós separado não é? Bom deixa pra lá que é melhor nem falar do resto!!!!

    • O grande problema do Brasil é não apostar na educação, nada mais, por exemplo, política à parte porque não tenho conhecimento e nem pretendo ter porque sou português, comparar então o português falado por este presidente, com o da Dilma, e pior ainda, o do Lula, não tem comparação possível. O. Temer fala maravilhosamente bem. Depois, se o Brasil bebesse mais da cultura portuguesa iria adotar termos lusos que iriam facilitar a compreensão. Não percebo porque o Brasil não se abre à cultura portuguesa.

      • Não serviria de nada para nós, o português atual no Brasil só é por questões políticas nada tem haver com a real língua brasileira falada pela população, o Brasil precisa de uma política linguística interna que reconhecesse a língua atual falada aqui.

  • Permitam-me “invadir” esta matéria com meu português falso (risos). Uma coisa digo como brasileiro: se um dia decidíssemos mudar o nome da “língua portuguesa” para “língua brasileira”, os mesmos portugueses que criticam o fato de falarmos um português “falso”, seriam os mesmos que ferozmente reclamar sobre tal alteração, portanto, aceitem que as mudanças de uma língua dependem das influências regionais e culturais.
    O Brasil, por sua distância com Portugal, não teria como manter a semelhança de sua língua com a de Portugal. Tivemos influências indígenas, africanas, árabes e espanholas, holandesa no Nordeste, francesa no Rio de Janeiro, mais tarde, influências italianas, espanholas, japonesas (sudeste brasileiro), polonesas, alemãs e italianas (sul). Isso nos torna plural e adoramos isso quando viajamos para algum estado de nosso imenso país. Como em qualquer país, há aqueles xenofobistas que não gostam dessas diferenças regionais (alguns poucos), mas a grande maioria de nós nos orgulhamos desta riqueza cultural e linguística que é o Brasil.
    Vendo de fora, nós brasileiros percebemos que os portugueses ainda tentam buscar sua identidade com estes inúmeros textos que encontramos na internet sobre o que eles mesmos são. O mais interessante é ver a ambiguidade de opiniões nas mesmas pessoas, como ocorre neste texto, ou seja: reclamam da falsidade do português brasileiro, mas se orgulham de sermos o agente atual de influência deus linda língua mundo afora.
    Abraço a todos os portugueses!

    • Interessante notar que há estudos históricos que afirmam que a variedade de português falado no Rio de Janeiro foi profundamente modificado após o evento de desembarque da família real no século 18, uma vez que vieram com eles muitos portugueses, o que fez com que esta variedade “carioca” seja a que mais se aproxima do falar europeu.

      O Brasil é um país imenso onde encontramos diversas pronúncias diferentes. Imagino que o mesmo aconteça no território português, mesmo sendo menor.

  • De fato sou a favor à criação da língua brasileira. Temos cada vez mais a simplificação do português aqui, ao ponto de excluirmos “tu”, “vós” e “nós”.

    • O ” mundo de Portugal ia ser pequeno sem a gente” mas “a gente não é pequena sem o mundo de Portugal”.
      Quanta arrogância demonstra!!! O imperialismo ficou desse lado do atlântico.

      • Não ficávamos nada mais pequenos. Portugal faz parte de uma União, a mais rica do planeta, União Europeia, e o nosso rumo é este e nada mais. Os portugueses continuavam a entender os brasileiros, sempre vos entendemos, sempre convivemos com a vossa cultura. Agora o Brasil, se no contexto atual já não é respeitado, tornar-se-ia um país sem identidade, ao ponto de poder mesmo geral conflitos entre estados, visto a variante de português ser diferente. Ganhem juízo!

        • Errado é ter uma língua própria com nossa própria gramática, sem esses arcadismos que nada tem haver com que é falado no Brasil, é por isso que defendo liberdade para 200 milhões de falantes do idioma brasileiro.

      • Eu vejo, nessa postagem, apenas uma resposta à arrogância portuguesa. Acham-se supremos.
        Nós brasileiros também temos brios. Nós respeitem. Se querem separação de fato, lutemos por isso.

  • Não acredito que o problema seja o Brasil, mas Portugal. Os portugueses ainda não conseguiram entender que o português é uma língua do mundo e querer controlar todos os falantes do português no mundo é uma forma de podar o idioma. Os portugueses têm que aprender mais com os ingleses, eles entenderam que o inglês já não é só deles e sim do mundo.

      • És um ser repugnante. Anti-brasileiro mesmo! Estás a escrever com o meu idioma que também é o teu, então, a mudar terias que falar a linguagem indígena e não usurpar o idioma dos outros. Mentes nojo. Estás em todos.

        • Fernando Lopes São duas línguas sim, muito aparentadas muito semelhantes mas são diferente e o que determina isso é a colocação dos pronomes e entre outras coisas, essas duas línguas são falsamente unidas por uma gramática criada por puristas.

  • Será sempre muito surpreendente para os brasileiros esta polêmica, pois de fato não importam se a língua falada no Brasil é “o falso português ou o brasileiro”. As pessoas mais simples se referem a língua falada no Brasil como “o brasileiro”. E há aqueles vizinhos nossos (do Brasil, Argentina,Uruguai , Paraguai e etc) que dizem que a língua portuguesa é um espanhol errado ,ai vem a referência do Castelhano e o Castiço.Castiço era o português falado na rua do porto no século XIII , ou seja , língua falada no “porto calle”. Que foi usada por Camões para escrever os Lusíadas. E o português falado pelos portugueses é difícil para os brasileiros entender , pois comem as silabas : exemplo – um português ao falar “VALE ALEMÃO” , diz – VAU AUMÃO!E existem portugueses que ao usarem a formação de frases que estão acostumados em sua região ,falam rápido e comem silabas e vogais. Na verdade a caracterização de um idioma se dá pela formação de frases e isto se dá pelo costume regional .Quando uma pessoa fala uma frase já formada e tem seu uso frequente numa região ,qualquer morador desta mesma região é capaz de entender quando outra pessoa fala de uma forma instantânea . O fato da distancia faz acontecer formação de frases que outras pessoas de outras regiões que falam o mesmo idioma terão nos primeiros instantes dificuldade em entender o significado.Portanto , os brasileiros não importam se é falso ou verdadeiro e continuarão falando conforme é falado aqui e com variações devido ao tamanho continental do país!

  • O Português é o galego que teve origem no latim , se corrompeu na zona rural e foi levado para Lisboa , para a rua do porto (lingua falada no “porto calle” ),ou seja , CASTIÇO!

  • Ola, sou brasileira e estou morando no Portugal a algum tempo. Descidi escrever um comentário pois nunca tinha morado em Portugal antes e fico muito chateada quando me dizem “não falas português” ou “o nosso português que é o certo”. Não entendo como duas línguas tão semelhantes podem ser postas como diferentes. No brasil nunca falamos “o português do Portugal ” quando falamos dos portugueses. Muito menos estudamos o “brasileiro” nas escolas. Concordo plenamente com o que vc falou sobre o nosso idioma. Apesar de tudo tento não prestar atenção com comentários desse tipo, afinal nem todos fazem de propósito, é algo que já está posto na cabeça de muitos jovens de minha idade (15 anos). Vim aqui para verificar se falo mesmo o português e não o “brasileiro”. Obrigada

  • Adorei o texto e os comentários. Sou Ítalo-Brasileiro, e sendo europeu e brasileiro, já conheci todas as localidades em questão.

    Gostaria de expor minha percepção sobre as semelhanças e diferenças e fazer uma pergunta aos que estudam linguagem, pois não sou um estudioso na área, sou engenheiro.

    O português escrito em Portugal e no Brasil são extremamente similares, tanto que não tenho qualquer dificuldade em compreender tudo que foi escrito no artigo e nos comentários. Entretanto, o português falado possui muitas diferenças (como brasileiro, não consigo compreender tudo que um português fala se ele pronunciar rápido, e penso que o mesmo se aplica a um português escutando um brasileiro falar).

    Por outro lado, o galego escrito possui razoáveis diferenças em relação ao português escrito no Brasil, mas eu consigo entender perfeitamente tudo que um Galego fala, por mais rápido que o faça.

    Minha pergunta é: se houve um distanciamento grande entre a forma falada em Portugal e no Brasil, como explicar então a semelhança fonética entre um brasileiro e um galego?

    • Discordo! Quando tiver a oportunidade de visitar Portugal verá que o idioma é o mesmo. Por aqui vive uma comunidade enorme de brasileiros e muito rapidamente interagem com portugueses sem dificuldades. Os portugueses, desde sempre, conviveram com a cultura brasileira, desde música, cinema, novelas e literatura, etc…, pelo que não temos a mínima dificuldade em enterder-vos, agora o contrário, nunca sucedeu. Se eu lhe perguntar um cantor português você não sabe, não vale Roberto Leal, que aqui é nada. Vocês abrem mais as vogais enquanto nós fechamos, só isso, nada mais. Comece a ver vídeos portugueses que verá que nos entende.

      • Quanta mentira, sem aprender a língua de lá primeira não vai entender nada, esses brasileiros só entendem por que aprenderam a língua falada lá.

  • Já morei 02 em Portugal quando era adolescente. Quando cheguei a Portugal descobri que falava “brasileiro” e não a língua portuguesa que aprendi na escola. Esse preconceito linguístico entristece-me, pois essa discussão só permeia o dia a dia dos portugueses, no Brasil chamamos nossa variante linguística de “português” e somos felizes assim. Essa discussão só se dá na Academia, entre os linguistas e pesquisadores. Näo pretendemos mudar.

  • Sou espanhol e moro no Brasil há vinte anos.
    Acho a língua portuguesa do Brasil linda, uma sonoridade incrível e muito romântica.
    Mas essa discussão se são duas linguas é algo idiota e sem cabimento.
    São as mesma língua, apenas com sonoridades e características diferentes, mas são a mesma língua, linda!!

    • Isso é uma falácia, vários linguistas defendem a separação ( leia sobre Marcos Bagno, Eni Orlandi), as línguas faladas nos dois lados são diferentes e isso já é provado pela linguística.

  • Talvez não haja isso de “falso”. Talvez o autor da matéria pense que o idioma do Brasil não é o português, e sim o brasileiro. Logo, os brasileiros só cantariam em portuguÊs se cantassem musica portuguesa. E cantariam em brasileiro se cantarem música brasileira.

    Creio que faz todo o sentido.

  • Esta análise é completamente equivocada. Ou os britânicos diriam que os norte-americanos falam “americano”, não inglês? Os brasileiros falam sim a LÍNGUA PORTUGUESA. E a pronúncia dos brasileiros é muito, mas muito melhor que a lusa. Os portugueses “engolem” letras ao falar, tem uma fonética difícil de perceber, enquanto os brasileiros, especialmente do Sudeste (exceto Minas), Sul e centro-oeste tem uma pronúncia aberta, clara e não engolem as vogais ao falar. E ainda não falamos “mais pequeno”, nem “mais grande” e sim “menor” e “maior”. E usamos o gerúndio (andando, falando, escrevendo), que os portugueses “mataram” (e complicam tudo com o “estou a falar”).
    Os “erros” do português brasileiro falado (e não escrito!) resumem-se ao uso de próclises nos pronomes e a não conjugação do TU que substituímos por “VOCÊ” e do NÓS que substituímos por “A GENTE” e conjugamos no tempo verbal da 3a. pessoa do singular. Trata-se de coloquialismo da linguagem falada que também ocorre no Português luso que matou o “vós” e o respectivo tempo verbal da sua linguagem falada.
    Há diferenças substanciais entre a forma de falar de portugueses e brasileiros, como no inglês britânico e no americano, mas nem por isso diz-se que o inglês americano é errado, “ignorante” ou que eles falam “americano” e não inglês.

    • Imagino que tenha lido o texto com muito pouca atenção. Que parte do texto está equivocada? Não digo que o português do Brasil está errado: digo precisamente o contrário.

      • Professor, desculpe-me, mas não me referi a sua análise. Referi-me a todos aqueles que classificam como “brasileiro” a língua falada pelos brasileiros, conforme foi mencionado no seu texto.

      • A pronúncia portuguesa lusa, do ponto de vista do estudante estrangeiro, mais difícil de perceber e aprender, porque as vogais são suprimidas. É intrigante que o português brasileiro seja mais próximo do castelhano da Espanha do que do da América Latina (em que as variações do castelhano costumam suprimir as vogais).
        Quanto ao “mais pequeno” e “mais grande”, para nós, brasileiros, soa muito mau, pois fomos corrigidos pelos professores na escola que reputavam tais expressões um erro grave.
        Não falar o gerúndio também soa muito mal e tampouco compreendemos porque o gerúndio não e falado no português luso.

        • Cara Débora, o gerúndio é usado, apenas em menos casos do que no Brasil. Há regiões de Portugal onde ainda é muito usado, como o Alentejo. Estas mudanças linguísticas são assim: imprevisíveis. Concordo que a pronúncia portuguesa é mais difícil de aprender, mas não há muito a fazer, não são processos que possam ser controlados “de cima”. Só uma nota: «mais grande» é erro em Portugal. Já «mais pequeno» é perfeitamente aceitável, embora também usemos menor… Saudações e bom ano!

      • E efetivamente a língua falada torna-se tão mais simplificada que até no português luso é raro quem fale “vós” e conjugue os verbos na 2a. Pessoa do plural, a exceção dos padres nas missas.
        Por isso eu discordo veementemente quando os portugueses dizem-me que falo “brasileiro”.

        • Isso mesmo, dizer que falamos brasileiro é um erro lastimável! Porque, seguindo essa lógica, poderíamos dizer que o inglês da Austrália, EUA e Canadá são falsos, e que o único correto seria o de Londres, o que seria um grande prejuízo econômico e social para a anglofonia! Então, nos EUA falar-se-ia estado-unidense, na Austrália, australiano, e no Canadá, canadense! Ah, ainda teríamos a questão da hispanofonia, em que não falar-se-ia espanhol verdadeiro no México, mas mexicano, colombiano na Colômbia e argentino na Argentina! Isso seria terrível! E, graças a Deus esses países, inclusive os de origem destes idiomas, não rejeitam a riqueza da variedade de suas línguas! Por que, então, na lusofonia deveria ser diferente? Nós, lusófonos, somos, por acaso, a escória da sociedade? Ora, há mais força na união do que na separação! A língua portuguesa é a nossa identidade comum, e é um importantíssimo veículo de comunhão cultural! Se os portugueses conseguirem entender o que escrevi, sem muito esforço, então saberão que no Brasil fala-se, também, português! Saudações do Brasil!

  • Falando em arrogância, cito-o: “O ” mundo de Portugal ia ser pequeno sem a gente”.

    Disse o seu bocado! Esqueceu, porém, quem lhe deu a grandeza territorial, praticamente metade da América Latina, não esqueceu? Ou pensa que essa grandeza caiu do céu? Olhe a manta de retalhos da outra parte da América Latina!!!
    E deu-lha um país que tinha exactamente o mesmo tamanho que tem hoje, dado que é a nação mais antiga da Europa, com fronteiras definidas desde 1249.

  • Posso dar minha humilde opinião como brasileira?
    Eu falo português, não falo isso pq sou de uma família portuguesa que imigrou para o Brasil no século XX. Mas sim, por vários motivos.
    Creio que a palavra central seria: ressentimento. Mais do que características diferentes na gramática, fonética ou vocabulário. É por tudo que eu já reparei, tanto por parte dos brasileiros, quanto dos portugueses. O ressentimento de ambas as partes é que gerou esse argumento de língua “brasileira”.
    Os brasileiros, muitos deles descendentes de italianos, alemães e outras origens vindas de certa elite, começaram no século XX à propagar essa ideia de falar “brasileiro”. Uma estratégia política anti lusitana. Observação: não estou generalizando, estou dando exemplos.
    Em contrapartida, alguns portugueses metidos a donos da língua, se revoltaram ao ver à antiga colônia se “rebelar”. Deu as costas e começou a querer propagar essa história de língua brasileira tb.
    Agora vamos aos argumentos que me fazem crer que não exista língua brasileira e sim sotaques (acentos):
    1-eu entendo perfeitamente o que um português fala ou escreve;
    2-existe diferença entre o português bem falado e mal falado no próprio Brasil. Infelizmente isso se deve à falta de educação e a grande diferença social.
    3-Já vi um artigo português listando dezenas de erros gramaticais que os próprios portugueses cometem. O impressionante é que são os mesmos que os próprios brasileiros cometem.
    4-Eu não entendo galego. Vcs podem comparar a semelhança fonética do galego com português brasileiro em certos aspectos, principalmente na falta do chiado típico do S, mas eu continuo não entendendo galego. Se eu entendo algo é pq falo português e fiz curso de espanhol, mesmo assim eu não entendo galego. Muito menos falar ou escrever em galego.
    -Meu sotaque não é o padrão de sotaque que os portugueses estão acostumados. Eu chio, e chio muito o S. Os portugueses acham que sotaque brasileiro= sotaque paulista.
    -o nordeste brasileiro é o local que mais tem palavras portuguesas que remetem ao português arcaico.
    -minha vó tem uma lista de palavras regionais portuguesas que os próprios portugueses de outras localidades não entenderiam.
    -já vi vídeo no YouTube de portugueses lendo palavras “brasileiras”. Não eram palavras de origem indígena ou negra. Eram palavras portuguesas! Sim, 100% portuguesas. Eles não entendiam, pois eram palavras “antigas”, palavras que vcs acham em livros. Claramente há uma falta de vocabulário nessa geração de jovens.
    -Um espanhol não entende o que um brasileiro fala. Um português sim.
    -um brasileiro de outras regiões pode não entender o que falam um nordestino brasileiro e um português, dependendo do acento dele. Isso pq esses acentos (sotaques) são tem uma dicção mais rápida.
    -os próprios portugueses dependendo da região, em alguns casos, não se entendem entre si. Eu já presenciei várias vezes os próprios portugueses discutindo com outros a respeito disso. Então, não se entender inicialmente não é determinante para dizer que é outra língua.
    – A gramática do português brasileiro tem duas variantes: a formal e a informal. Sabemos ler as duas formas. Quanto mais a pessoa tiver leitura, mais saberá como utilizar a gramática.
    -o Brasil é imenso. Inclusive temos o sotaque tipicamente português de Portugal aqui no Brasil. Infelizmente os portugueses não têm um grande conhecimento dos variados sotaques que temos aqui. Muitas vezes os próprios brasileiros também não.
    Resumindo, falta comunicação e conhecimento de ambas as partes.

  • O português brasileiro e lusitano eram exactamente iguais em ortografia até 1911, quando Portugal impôs à toda a gente o formulário ortográfico e distanciou-se da norma brasileira. Posteriormente, Brasil tentou aproximar-se do português europeu com reformas e acordos já à década de 30 e com o acordo ortográfico de 1943, que os políticos brasileiros não assinaram. Sendo assim, surgiram acordo ortográficos, como o de 1986 que foi à bancarrota e o de 90, que está mal estruturado e acabou não vingando.

    Razão por quê discordo de muitos portugueses no tratamento de brasileiros, é por afirmarem que falamos um idioma inferior, não tão elevado quanto o português lusitano. Concordo que algumas de nossas construções são péssimas, como o vício do gerundês e o uso excessivo do pronome degenerado você. Mas nossa sintaxe permite a utilização da vossa. Deste modo, posso escrever “o que é suposto fazermos?” ou “o que devemos fazer?” ou “Aqueles que no tentaram calar”. Posso escrever uma redação no Brasil utilizando esta norma curta, pois não? Ela será aceite.

    Quando falamos em idioma coloquial, então as coisas complicam-se, porque são dezenas de dialectos no Brasil e uns tantos nem são português mais. Mas à língua culta, reconheço que é português, sim. E dos bons. Considero ofensivo dizerem que falo brasileiro, como se isto fosse algo inferior, como sequer se existisse.

    Quanto a questão de que haverá uma distanciamento maior entre as variantes, não vejo bases. A wikipedia unificou as normas, por exemplo. O mercado livreiro brasileiro faz sucesso em portugal e os programas de TV são cada vez menos vistos. Com a globalização, haverá uma aproximação.

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