Categorias
Tradução

E quando o tradutor automático é malcriado?

Tenho um aluno que está a fazer um trabalho sobre reconhecimento de voz em tradução — ou seja, sobre o uso de tecnologia para usar a voz para traduzir, o que parece aumentar a produtividade da tradução de forma inacreditável. Um dia ainda falarei aqui deste assunto (que descobri através de David Hardisty e Kevin Lossner).

O trabalho é sobre o reconhecimento de voz simples: o tradutor lê a sua tradução e o computador escreve — nada de tradução automática.

Mas o aluno decidiu pesquisar vários sistemas diferentes, incluindo alguns sites que fazem reconhecimento de voz, tradução automática e leitura dessa tradução em voz alta. Ou seja, eu digo qualquer coisa em inglês e o computador diz-me, alto e bom som, a tradução em português. Um intérprete automático, portanto.

Isto, claro, tirando as vezes em que o sistema falha — e a verdade é que pode descarrilar em alta velocidade.

Foi a um desses descarrilamentos que assisti ao experimentar esse sistema encontrado pelo meu aluno.

Digo «Hello!» e o computador devolve-me «Olá!».

Digo «Let’s translate something.», o computador pensa uns segundos e…

Peço que pousem as chávenas de café e se sentem.

O computador gritou-me, com óptima dicção:

«Gostosa do c*r***o.»

Sem os asteriscos, obviamente.

Depois de momentos de silêncio, o meu aluno e eu não conseguimos parar de rir durante uns bons minutos.

Ainda estou para saber como é que aquilo aconteceu. Talvez no mundo dos tradutores virtuais tenha passado uma tradutora automática que despertou o lado menos civilizado do algoritmo.

Presumo que aquele sistema ainda não venha a ser usado na interpretação de conferências internacionais durante alguns anos. O que, se calhar, é pena.

Receba os próximos artigos

Marco Neves

4 comentários

Levei porque achei que o método deve resultar para quem é tradutor, já a resposta…. De morrer a rir!!! ☺

Hehehe… muito engraçado. Realmente as tecnologias de apoio à tradução tem avançado muito: o reconhecimento de voz e a tradução automática, mas ainda é preciso tomar muito cuidado, pois volta e meia aparecem na rede traduções anedóticas resultantes dessas ferramentas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *