Certas PalavrasPublicação de Marco Neves sobre línguas e outras viagens

Viagem pelas ruas de Portugal

Ricardo Cartaxo andou a passear pelas ruas de Portugal e descobriu algumas placas bem curiosas. Aqui fica o saboroso registo.

Autor: Ricardo Cartaxo

Quando nos passeamos por cidades, vilas e aldeias, e se estivermos atentos, descobriremos nomes curiosos de ruas e outras artérias e poderemos também conhecer um pouco da história e cultura locais. Este artigo mostra alguns destes exemplos, partindo de fotografias de placas toponímicas que fotografei.

1. Uma despromoção

Todos nós gostamos de promoções, seja na nossa carreira profissional, seja no local onde fazemos as compras. Ninguém, porém, deseja a triste sorte desta artéria de Abrantes, que foi despromovida de rua para beco…

2. Tenho-me bem?

Na mesma cidade, podemos encontrar esta curiosa travessa. Este nome é tão peculiar que foi utilizado por Luísa Cunha para designar uma exposição de obras por si realizadas, durante o período em que esteve instalada em Abrantes.

3. Um beco com amargos de boca

Já é mau andar pelas ruas da amargura, mas, na Arruda dos Vinhos, pode-se andar pelo Beco da Amargura. Deve ser uma artéria que todos os arrudenses evitam.

4. Que saudades do trema!

O trema, ou diérese, foi utilizado em Portugal até 1945 e no Brasil até 2009. Indicava que uma vogal não formava ditongo com a anterior (como no caso do nome desta rua) e que, nos grupos gu e qu, a vogal u era pronunciada. Em Mangualde, uma singela placa toponímica não nos deixa esquecer aquele tão útil sinal ortográfico.

5. Geralmente, há a rua direita

Em muitas localidades, existe a rua direita, geralmente um arruamento principal. Mas, em Arraiolos, temos a sua antítese, ou seja, uma travessa torta.

7. Um nome que não aparece nos mapas

Em Cacela Velha (Vila Real de Santo António), o largo com o nome do poeta Ibn Darraj Al-Qastalli aparece na placa, mas não aparece na lista de códigos postais — e o Google Maps indica que este largo faz parte da Rua de Cacela Velha. Talvez seja por uma boa causa: deveria ser complicado dizer a morada de casa se o nome do poeta árabe tivesse mesmo de ser proferido!

6. Uma rua criativa

Em Évora, cidade de curiosa toponímia, existe uma artéria que nos põe a imaginar como aquele nome terá surgido.

7. O nome mais estranho

O nome desta rua, em Agualva, é, para mim, o mais estranho que conheço. Por que razão uma rua poderá ser mouca e comprida? Para já, a rua nem é assim tão extensa. Talvez tenha começado por ser rua ‘da’ mouca e comprida (como um local por mim interpelado a pronunciou), fazendo alusão a uma mulher alta e de fracos dotes auditivos…

O jornalista e apresentador Joaquim Letria, numa rubrica de um programa de televisão, mostrou algumas destas fotografias. Aqui fica:


Ricardo Cartaxo

Tem 53 anos e é engenheiro electrotécnico de formação. Actualmente, trabalha num centro de investigação em energia. Tem interesse pela vida das palavras: como surgem e como vêem evoluir o seu significado.

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